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segunda-feira, 13 de abril de 2009

Contravenção prepara batalha sangrenta no Rio

Por Xico Vargas
13-04-2009

Não deverá virar filme, mas terá todo o jeito da Chicago dos anos 1930 a próxima guerra em família pelo controle de áreas do jogo do bicho no Rio de Janeiro. Nada a ver com Rogério ou Fernando Inácio, sobrinho e genro do patriarca morto, Castor de Andrade, que protagonizaram sangrentos embates até recentemente. Desta vez o sangue vai correr dos parentes de Waldemir Paes Garcia, o Maninho, assassinado há cinco anos por ordem de seus pares da contravenção.

A execução do bicheiro, na saída de uma academia de ginástica, em Jacarepaguá, transferiu aos herdeiros pontos de anotação de jogo e máquinas caça-níqueis espalhados por quase toda a Zona Sul e por Tijuca e Grajaú, na Zona Norte. Três filhos (duas moças e um rapaz) e a viúva dividiram o legado em partes iguais.

Dona de 25% do baú, a filha mais velha, Shana, casou com Zé Personal, que levou os negócios de caçaníqueis em frente. Bernardo, que casou com a mais moça, tornou-se administrador dos restantes 75% do patrimônio, constituído basicamente de pontos de bicho. Todo mês, ambos dividiam os porcentuais correspondentes a cada herdeiro.

As máquinas caçaníqueis hoje movimentam mais dinheiro do que o jogo do bicho (papel, no jargão da atividade). Resultado disso, no acerto mensal o desembolso de Personal era sempre maior. Entregava 75% do faturamento ao cunhado e recebia de 25% do movimento do bicho. Quem conhece a história conta que, num desses encontros, Personal aplicou o golpe em Bernardo e o caldo entornou. Separaram-se com juras de morte e nada mais se ouviu por longo tempo.

Nos últimos dias, graças ao repórter Rodolfo Schneider, descobriu-se um pacote de novidades. Os dois lados desse conflito estão armados até os dentes. Ambos tomaram a soldo policiais civis e PMs da banda podre das duas corporações, Há uma semana, funcionários do sistema penitenciário foram subornados com 100 mil reais para abrir o estande de tiro da guarda a exercícios do bando de Personal.

Confirmada pelo presidente do Sindicato dos Guardas Penitenciários, Francisco Rodrigues, a informação não teve eco na secretaria de Administração Penitenciária. O secretário Cesar Rubens Monteiro não fala e sua assessoria nega. Como a omissão do poder público não muda o rumo desses acontecimentos, o desfecho está a caminho.

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