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domingo, 10 de janeiro de 2010

Google lança telefone: o que ele quer com isso?


Autor: Filipe Serrano
As expectativas para o lançamento de um telefone celular com a marca do Google se confirmaram na semana passada. Mas o anúncio do primeiro telefone lançado pela maior empresa de internet foi além do aparelho eletrônico. Durante o anúncio do Nexus One ? como é chamado o celular fabricado pela taiwanesa HTC ? o Google apontou como você vai depender menos das empresas de telefonia no futuro. O Google alterou a lógica na hora de comprar um celular. Em primeiro lugar você escolhe o modelo que pretende comprar e depois se preocupa com operadoras e planos. Se quiser. Quem preferir pode comprar o telefone desbloqueado, sem nenhum subsídio, para usar como preferir, com o chip e o número que já estão à mão. Todo o passo-a-passo é realizado no site da loja online do Google. E o celular chega na casa do consumidor, por correio. Antes da loja virtual, quem quisesse comprar um aparelho com o Android precisava procurar a operadora antes de tudo. O Google estava do lado de fora da vitrine, apenas testemunhando, ressentido, o que fabricantes e empresas de telefonia vinham fazendo com o produto que ele ajudou a criar e que carrega seu nome. "Com o Android sendo usado em vários aparelhos de muitos fabricantes, o Google tinha uma base de usuários dispersa. O enfoque na loja ajuda manter as pessoas que compram os aparelhos mais próximos da marca do Google", diz o analista de telecomunicações Álvaro Leal, da consultoria IT Data. Não está claro o tamanho do impacto que uma loja online do Google vai causar, se reduzirá as vendas de aparelhos pelas operadoras, ou se será "apenas mais uma opção para as empresas parceiras venderem celulares", como afirmou o vice-presidente de engenharia do Google, Andy Rubin, durante o lançamento do Nexus One. De qualquer maneira, o Google se adequa a uma tendência que surgiu principalmente com o iPhone e também já vinha influenciando outros fabricantes de celulares. Tanto a Apple, quanto a Nokia, também vendem aparelhos por lojas próprias ? online e físicas ? diretamente aos consumidores. FORÇA DA MARCA "Celulares como o iPhone têm uma marca muito forte. A pessoa compra porque quer esse aparelho. E a operadora fica em segundo plano", diz João Paulo Bruder, analista de telecomunicações da consultoria International Data Corporation (IDC). Vincular um celular com a sua marca, porém, também cria um risco para o Google. O Nexus One ainda é antes de tudo um telefone da HTC. Assim como o Milestone é da Motorola, o Galaxy, da Samsung, e o GW620, da LG ? alguns dos modelos de celular com Android disponíveis no Brasil. Os aparelhos vendidos na loja online terão de passar pelas lupas da empresa antes de serem vendidos pelo site. Se outro futuro celular do Google causar uma má impressão, a consequência será ruim para o Google também. "O Nexus One não está fundando uma marca nova. É da HTC, que não é uma empresa tão desconhecida, mas tampouco é um dos fabricantes tops", diz Bruder. O Nexus One é um bom celular, mas o anúncio do Google frustrou quem esperava um telefone unicamente revolucionário do mesmo nível que os produtos da empresa. Ele não é. O telefone tem um dos processadores para celular mais rápidos que existem, consegue reproduzir efeitos gráficos avançados e usa um microfone secundário para retirar ruídos das ligações. Mas todos os outros recursos ? como reconhecimento de voz para controlar quase tudo, nova interface gráfica, papéis de parede animados ? são coisas da nova versão do Android, a 2.1, que logo será adotada por outros aparelhos. O Google tentou, mas perdeu a chance de fazer "o" grande lançamento de celular de 2010. Ele ainda está por vir e não será o Nexus One. Foto: Paul J. Richards

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